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Expresso M
Desde: 26/08/2014      Publicadas: 11      Atualização: 01/09/2014

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 Opiniões.

  01/08/2014
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Antropofagismo do Século XVI

"Nós achamos que nunca vai ter coragem de fazer tal ato de inconsciência e brutalidade humana, mas entre o nosso nariz e do outro, esquecemos a nossa consciência e os instintos naturais nos guiam". (Cosme Fernandes " dito por Alexandre Ernulfo Fernandes, seu tataraneto).

Antropofagismo do Século XVI
Antropofagia do Século XVI
O antropofagismo é um ritual, não muito bem visto pelas pessoas, dessa época e de épocas atrás. Era uma questão de pensar como aquilo poderia ser uma crença aceitável, como aquela cultura poderia ser considerada normal. A antropofagia está cheia de mistérios e nós conversamos com Alexandre Ernulfo Fernandes Pessoa, um historiador português, de origem brasileira, que começou agora no ramo da história e não é tão famoso. Ele é também o tataraneto de Cosme Fernandes Pessoa, o famoso Bacharel Mestre de Cananéia.

Cosme Fernandes , O Bacharel de Cananéia
"Nós achamos que nunca vai ter coragem de fazer tal ato de inconsciência e brutalidade humana, mas entre o nosso nariz e do outro, esquecemos a nossa consciência e os instintos naturais nos guiam". (Cosme Fernandes " dito por Alexandre Ernulfo Fernandes, seu tataraneto).


- Como o senhor investigou o que ocorreu com seu avô, voltando para a mesma ilha onde ele viveu o que passou na cabeça dele na hora de cometer o ato de antropofagia?

Alexandre Fernandes - Eu consegui, por sorte, encontrar arquivos de meu outro tataravô, o filho dele, Pedro Álvares Cabral Fernandes e de acordo com as cartas que ele recebeu dele, ele ficou muito abismado com essa situação e o pai dele, descrevia como ele passou cada dia até sair daquela ilha. Cosme disse que ao começar a cometer a antropofagia, era um hábito bem estranho para ele e natural para os nativos, os gentios, como eram chamados naquela época. Mas, após se acostumar ao ambiente, ele achou que deveria cometer antropofagia por necessidade. Até porque, de acordo com ele, naquela ilha, quem não comia era comido.


- De acordo com essas cartas, o senhor Cosme Fernandes praticou antropofagismo com o melhor amigo dele. O senhor sabe qual foi a sensação dele ao praticar o antropofagismo? E se sim, por que ele fez isso ao mesmo?


Alexandre Fernandes - Como eu mencionei antes, ele se acostumou á isso com o passar dos anos naquela ilha que deu origem ao nosso país. Meu tataravô falou que Lopo de Pina, como era chamado o amigo dele, traiu a confiança dele na mesma ilha, roubou todo o ouro que eles acumularam na exploração daquela ilha e ainda, se casou com minha tataravó, Lianor. Meu tataravô achou bem justo esse fim para ele, sendo que esse fim não seguia a lógica humana.


- Seu tataravô chegou á descrever algum efeito colateral causado pela carne humana?

Alexandre Fernandes - Não. Pois não foi encontrada nenhuma evidência compatível, apesar das cartas serem uma evidência. Ele falou que praticava esse ritual, mas, não chegou á falar de alguma mudança genética.


- Qual foi a reação do seu tataravô nos primeiros dias em que conviveram na famosa "Terra dos Papagaios", também chamada de "Paraíso"?

Alexandre Fernandes - (Risos) Chega até á ser um pouco engraçado essa história dos nomes que ele deu para as terras. Mas, sinceramente, ele escreveu dizendo que com certeza iria morrer, porque não tinha um inferno pior que aquele. O que o deixou vivo naquela ilha foi o pensamento que ele tinha na minha tataravó (Lianor). Com o tempo, ele que, em troca de não ser comido pelos "gentios", ofereceu proteção para eles com os armamentos que eram superiores aos deles. Tudo mudou na primeira caçada deles em que os índios fizeram esse ato bizarro, que o incentivou á fazer o mesmo. Os instintos falaram mais alto que sua fé.




" É verdade que seu tataravô ensinou aos gentios á como utilizar as armas para se defender de estrangeiros que querem atacá " los?

Alexandre Fernandes " Sim. Ele achava que, com os tipos de inimigos que iam e vinham até a ilha aqueles arcos e flechas não iam adiantar muito, mesmo se tivesse os arqueiros mais ágeis e uma grande quantidade de arcos e flechas. Então, como a caixa que lhe foi dada antes de realizar a exploração (que era o objetivo inicial dele e de seus companheiros) continha muita armas e a convivência com os gentios era pacífica, decidiu ensiná " los á se defender mais do que antes. E esse ensino deu certo: em uma ocasião , eles mataram tantos inimigos que os índios não aguentaram comer toda aquela carne.

" Além de alguns papéis que foram deixados por seu avô foi encontrado um diário, que era do seu tataravô. O senhor conseguiu descobrir algo á mais sobre o antropofagismo , de uma maneira resumida?

Alexandre Fernandes " Meu tataravô, além de escrever o próprio ritual de antropofagia, escreveu as regras da Terra dos Papagaios e vários descobrimentos , que hoje são coisas que todo mundo já sabe , pelo menos metade das coisas. O antropofagismo , pela definição do mesmo , é um ritual antigo realizado pelos povos indígenas , com a crença de que ganhará a habilidade de seus inimigos comendo diferentes partes do corpo. O cérebro , para dar-lhe inteligência , os braços para dar-lhe força , o coração para dar-lhe coragem e etc.

" Para terminarmos , queríamos que falasse para nós os motivos que o levaram á pesquisar sobre o passado do seu tataravô e o que o senhor acha do antropofagismo no histórico genealógico da sua família?




Alexandre Fernandes " Justamente para descobrir mais sobre minha própria família , descobrir mais o envolvimento do meu tataravô na criação desse país que , não está em ótima situação hoje em dia e para entender o motivo do ritual de antropofagia. Isso tudo era (e é) uma questão de crença. Nesse tempo , a única religião existente era a católica , tanto que os jesuítas catequizaram os índios nessa época. Se os clérigos vissem aquilo, iam achar que era loucura, que era um ato herege, por pratica do canibalismo, um ato não permitido por Deus. Sendo que, o canibalismo se difere por não ter um motivo para fazê-lo e o antropofagismo tem um motivo por ser algo da cultura deles Meu tataravô era um clérigo, porém, não interferiu na crença deles, apesar de ter catequizado e educado a filha que teve lá. Mas, fora isso mais nada. Sinceramente, eu me orgulho de estar nessa linha genealógica, por mais louco que isso soe. Meu avô me mostrou que , apesar da monstruosidade que eles faziam naquela época , tudo tinha um motivo : Se defender e defender seu povo.




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